O Que É CRI? Como Funciona, Riscos e Tributação

O que é CRI e como funciona

Conteúdo atualizado em agosto de 2026.

As informações tributárias e regulatórias podem mudar. Consulte as regras vigentes e os documentos da emissão antes de investir.

Entender o que é CRI ajuda o investidor a avaliar uma alternativa de renda fixa ligada ao mercado imobiliário. O produto pode apresentar diferentes formas de remuneração e, de acordo com as regras vigentes na data desta revisão, seus rendimentos são isentos de Imposto de Renda para pessoas físicas.

Entretanto, a isenção tributária não torna o investimento automaticamente seguro, rentável ou adequado para qualquer pessoa.

O CRI não possui a cobertura ordinária do Fundo Garantidor de Créditos, pode apresentar dificuldade de venda antes do vencimento e depende da qualidade dos créditos que sustentam a operação.

Em outras palavras, o investidor não deve escolher um CRI apenas porque a taxa parece atrativa ou porque os rendimentos são isentos de Imposto de Renda.

É necessário entender quem deve o dinheiro, como os pagamentos serão realizados, quais garantias existem e o que pode acontecer em caso de atraso ou inadimplência.

Essa análise pode parecer complicada no primeiro contato. No entanto, quando o investidor separa a estrutura em partes, torna-se mais fácil compreender os riscos envolvidos.

Neste artigo, você entenderá o que é CRI, como esse investimento funciona, quais são seus principais riscos, como ocorre a tributação e o que analisar antes de investir.

Ponto importante: renda fixa não significa ausência de risco. A expressão indica que as regras de remuneração são definidas previamente, mas o investidor ainda pode enfrentar atrasos, perdas ou oscilações no preço do título.

O que é CRI e como ele funciona?

CRI é a sigla para Certificado de Recebíveis Imobiliários.

Uma companhia securitizadora emite esse título com base em créditos relacionados ao mercado imobiliário. Ao comprar um CRI, o investidor adquire um direito de crédito e pode receber juros, amortizações e o valor principal conforme as condições previstas na emissão.

A B3 explica que o CRI gera um direito de crédito ao investidor, que poderá receber a remuneração e o valor principal de acordo com as regras do título.

Os créditos que sustentam uma emissão podem ter diferentes origens, como contratos de aluguel, financiamentos imobiliários, parcelas da venda de imóveis ou outras obrigações relacionadas ao setor.

Ao investir, a pessoa não compra diretamente um imóvel e não se torna proprietária dos empreendimentos envolvidos.

Também não se torna automaticamente sócia de uma construtora, incorporadora ou empresa imobiliária.

O investidor assume a posição de credor dentro de uma operação financeira. Seus direitos e pagamentos seguem aquilo que os documentos da emissão estabeleceram.

Essa diferença é importante porque o retorno não depende diretamente da valorização de um imóvel. Ele depende do cumprimento das obrigações financeiras vinculadas ao título.

Uma companhia securitizadora emite o CRI, mas o risco econômico pode estar concentrado nos devedores responsáveis pelos pagamentos.

Por isso, observar apenas o nome da securitizadora não basta para avaliar a segurança da operação.

Como funciona a securitização imobiliária?

Infográfico mostrando como funciona a securitização e a emissão de um CRI

A securitização é o processo que transforma direitos a receber em títulos que podem ser adquiridos por investidores.

Imagine uma empresa que tenha valores a receber durante vários anos.

Esses pagamentos podem vir de contratos de aluguel, financiamentos, parcelas de compradores ou outros créditos vinculados ao mercado imobiliário.

Em vez de esperar todos os pagamentos, a empresa pode transferir esses créditos para uma estrutura de securitização.

A companhia securitizadora organiza a operação, reúne os documentos, emite os certificados e capta recursos com os investidores.

Os recursos captados seguem a destinação definida nos documentos da oferta. Posteriormente, o fluxo dos recebíveis e as obrigações dos devedores sustentam os pagamentos do CRI, conforme as regras de cada emissão.

A Comissão de Valores Mobiliários regulamenta a atuação das companhias securitizadoras registradas por meio da Resolução CVM nº 60 e de suas atualizações.

Embora o funcionamento básico seja semelhante, cada operação pode apresentar características diferentes.

Algumas emissões dependem principalmente da capacidade de pagamento de uma grande empresa. Outras possuem recebíveis distribuídos entre vários compradores ou locatários.

Também podem existir garantias, reservas financeiras, classes diferentes de títulos e mecanismos de proteção.

Por isso, dois CRIs com a mesma taxa e o mesmo prazo podem apresentar riscos bastante distintos.

O que é CRI na prática: quem paga o investidor?

Para avaliar um CRI, é necessário compreender a função dos principais participantes da operação.

A securitizadora é a empresa responsável por estruturar e emitir o título.

O devedor é quem possui a obrigação de realizar os pagamentos que sustentam a operação.

O cedente transfere os créditos para a estrutura de securitização. Em determinadas emissões, o cedente também pode assumir obrigações adicionais.

O garantidor, quando existe, oferece uma garantia ou assume um compromisso de pagamento dentro das condições previstas nos documentos.

Também pode existir um agente fiduciário, que representa coletivamente os interesses dos investidores e acompanha o cumprimento das obrigações relacionadas à emissão.

Esses papéis não devem ser confundidos.

A securitizadora aparece como emissora formal do título, mas o dinheiro necessário para pagar os investidores normalmente depende dos recebíveis, dos devedores e das garantias vinculadas à operação.

Considere um CRI baseado em pagamentos que uma incorporadora deverá realizar durante vários anos.

Nesse caso, a capacidade financeira da incorporadora terá grande importância para a análise de risco.

Em outra emissão, os pagamentos podem depender de centenas de contratos de aluguel ou parcelas de compradores.

Uma estrutura pulverizada reduz a dependência de um único pagador. Porém, o investidor ainda precisa analisar a concentração dos maiores devedores, o histórico de inadimplência e as regras de cobrança.

Antes de investir, procure responder:

  • Quem gera os recursos usados nos pagamentos?
  • O fluxo depende de uma única empresa?
  • Os recebíveis estão distribuídos entre vários devedores?
  • Existem garantias ou empresas coobrigadas?
  • Como a operação trata atrasos e inadimplência?
  • Quais eventos podem provocar o vencimento antecipado?

Essas informações são mais importantes do que a taxa isolada apresentada na plataforma.

O CRI possui patrimônio separado?

Algumas emissões adotam o chamado regime fiduciário.

Quando a securitizadora institui esse regime, os créditos, bens e garantias vinculados à emissão formam um patrimônio separado.

Os ativos daquela operação não se confundem com o patrimônio comum da securitizadora nem com os patrimônios separados de outras emissões.

A Lei nº 14.430 estabelece regras para a administração e a contabilização desses patrimônios separados quando o regime fiduciário é instituído.

Essa separação oferece uma proteção jurídica relevante.

Caso a securitizadora enfrente problemas financeiros próprios, os ativos vinculados ao patrimônio separado devem permanecer destinados ao cumprimento das obrigações daquela operação.

Entretanto, o patrimônio separado não representa uma garantia de pagamento integral.

Se os devedores não pagarem e as garantias não forem suficientes, o patrimônio da emissão pode não ter recursos para cumprir todas as obrigações.

Também não se deve presumir que qualquer CRI possui exatamente a mesma estrutura de proteção.

O investidor precisa verificar no Termo de Securitização:

  • se o regime fiduciário foi instituído;
  • quais ativos integram o patrimônio separado;
  • quais despesas podem consumir os recursos;
  • quais garantias fazem parte da emissão;
  • como ocorrerá a cobrança dos devedores;
  • quais medidas serão tomadas em caso de insuficiência dos ativos.

Atenção: o patrimônio separado reduz determinados riscos relacionados à securitizadora, mas não elimina o risco de inadimplência dos créditos.

CRI é isento de Imposto de Renda?

De acordo com as regras vigentes na última revisão deste artigo, os rendimentos de CRI recebidos por pessoas físicas são isentos de Imposto de Renda.

A Receita Federal classifica os rendimentos de CRI como isentos e não tributáveis para pessoas físicas.

Essa isenção representa uma vantagem tributária, pois o investidor pessoa física não sofre o desconto da tabela regressiva de Imposto de Renda sobre os rendimentos do título nas condições gerais aplicáveis.

Entretanto, é mais correto afirmar que os rendimentos do CRI possuem isenção de Imposto de Renda para pessoas físicas do que dizer que o investimento é completamente “sem impostos”.

Essa diferença deixa a informação mais precisa.

O tratamento tributário pode variar para pessoas jurídicas, investidores não residentes ou situações específicas.

Além disso, a instituição utilizada pelo investidor pode aplicar custos de negociação, custódia ou intermediação, de acordo com sua política comercial.

Outro ponto importante é que as regras tributárias podem mudar.

Por isso, não é prudente tratar a isenção como uma característica permanente e imutável.

Antes de investir, verifique a legislação vigente, os documentos da oferta e as informações fornecidas pela instituição responsável pela distribuição.

A isenção garante uma rentabilidade maior?

Não.

A isenção de Imposto de Renda pode melhorar a rentabilidade líquida, mas não garante que o CRI será mais vantajoso do que um investimento tributado.

Um CDB, por exemplo, pode apresentar uma taxa bruta maior, liquidez superior ou cobertura do FGC dentro dos limites aplicáveis.

Um título público pode oferecer uma relação diferente entre prazo, risco e possibilidade de negociação.

Uma LCI pode apresentar isenção tributária e cobertura do FGC, dependendo das condições aplicáveis à instituição emissora.

Portanto, a comparação não deve considerar somente o imposto.

O investidor precisa analisar:

  • retorno líquido;
  • prazo;
  • risco de crédito;
  • liquidez;
  • garantias;
  • calendário de pagamentos;
  • possibilidade de venda antecipada;
  • concentração da carteira.

Um CRI pode apresentar uma taxa líquida maior e, ao mesmo tempo, carregar riscos significativamente superiores.

Nesse caso, a diferença de remuneração não representa necessariamente uma vantagem. Ela pode ser apenas a compensação exigida pelo mercado para assumir mais risco.

Como funciona a rentabilidade do CRI?

A emissão define a forma de remuneração do CRI.

O título pode utilizar uma taxa prefixada, um indicador pós-fixado ou uma combinação entre correção monetária e juros.

A B3 reconhece diferentes estruturas de remuneração para os CRIs, que podem variar conforme as condições de cada emissão.

CRI prefixado

No CRI prefixado, a emissão estabelece uma taxa fixa.

Essa estrutura permite estimar o retorno esperado caso todos os pagamentos ocorram conforme o previsto e o investidor mantenha o título durante o prazo adequado.

Entretanto, o preço do CRI pode oscilar antes do vencimento.

Quando as taxas de mercado sobem, um título antigo com remuneração menor pode perder valor. Quando as taxas caem, o movimento pode ocorrer no sentido contrário.

Portanto, uma taxa prefixada não elimina a possibilidade de perda em uma venda antecipada.

CRI pós-fixado

O CRI pós-fixado acompanha um indicador definido na emissão.

A remuneração pode variar de acordo com o comportamento desse indicador durante o período do investimento.

Contudo, o fato de a remuneração acompanhar um indicador de curto prazo não significa que o título terá liquidez diária.

O indexador determina a forma de atualização da remuneração. O prazo e as condições de negociação seguem as regras da emissão.

CRI corrigido pela inflação

Alguns CRIs utilizam um índice de preços, como o IPCA, acrescido de uma taxa fixa.

Essa estrutura busca preservar o poder de compra do capital e acrescentar uma remuneração acima da inflação.

Entretanto, a correção monetária depende do cumprimento das obrigações.

Se os devedores enfrentarem dificuldades financeiras, o indexador não impedirá atrasos, renegociações ou perdas.

Também é necessário observar o calendário de pagamentos.

Alguns títulos pagam juros periodicamente. Outros amortizam parte do principal ao longo do prazo.

Assim, dois CRIs com taxas semelhantes podem gerar fluxos financeiros muito diferentes.

Por que alguns CRIs apresentam taxas maiores?

Uma taxa maior geralmente está associada a uma combinação de prazo, risco de crédito, liquidez, complexidade e condições de mercado.

Ao comprar um CRI, o investidor financia uma estrutura de crédito privado.

Se o mercado identificar uma possibilidade maior de atraso ou inadimplência, os investidores poderão exigir uma remuneração superior para aceitar o risco.

O mesmo pode ocorrer quando o título possui prazo longo ou pouca negociação no mercado secundário.

Portanto, uma taxa elevada não deve ser interpretada isoladamente como uma vantagem.

Ela pode funcionar como uma compensação por riscos adicionais.

Isso não significa que todo CRI com taxa alta enfrentará problemas. Também não significa que uma taxa menor torna uma emissão segura.

O investidor deve comparar a remuneração com a qualidade dos devedores, do lastro e das garantias.

Também precisa comparar produtos semelhantes.

Não faz sentido colocar lado a lado um CRI de longo prazo e baixa liquidez com um investimento que permite resgate diário, considerando somente a taxa.

Em vez de perguntar apenas quanto o título pode render, faça outra pergunta:

Quais riscos preciso assumir para buscar essa remuneração?

Essa análise ajuda a evitar decisões motivadas exclusivamente pela taxa anunciada.

Principais riscos do CRI, incluindo crédito, liquidez, garantias e ausência de FGC

Quais são os principais riscos do CRI?

O CRI pode apresentar riscos de crédito, liquidez, mercado, concentração e execução de garantias.

Conhecer esses fatores não significa que o investimento seja necessariamente ruim. Significa apenas que a decisão precisa considerar as possíveis perdas.

Risco de crédito

O risco de crédito representa a possibilidade de os devedores não cumprirem suas obrigações.

Problemas financeiros, queda nas vendas, aumento do endividamento, disputas judiciais ou dificuldades em um empreendimento podem afetar o fluxo de pagamentos.

A inadimplência pode provocar atrasos, renegociações ou perdas para os investidores.

Por isso, analisar a capacidade financeira dos devedores é uma das etapas mais importantes.

Ausência de cobertura do FGC

O CRI não possui a cobertura ordinária do Fundo Garantidor de Créditos.

O FGC inclui os Certificados de Recebíveis Imobiliários entre os produtos que não fazem parte de sua garantia.

Em caso de inadimplência, o investidor dependerá dos recebíveis, das garantias e dos procedimentos de cobrança previstos na operação.

Risco de liquidez

Alguns CRIs podem ser negociados no mercado secundário.

Entretanto, a existência dessa possibilidade não garante que haverá compradores interessados no momento em que o investidor quiser vender.

Quando há poucos compradores, pode ser necessário aceitar um preço menor.

Em determinados casos, o investidor pode enfrentar grande dificuldade para sair da aplicação antes do vencimento.

Por isso, o CRI normalmente não deve ocupar o lugar da reserva destinada a emergências.

Antes de buscar investimentos com prazos longos, veja também o conteúdo Como Organizar a Vida Financeira, disponível no Mas Porque Investir.

Risco de mercado

O preço do título pode variar conforme as taxas de juros, a inflação, a percepção sobre os devedores e as condições econômicas.

Essa variação torna-se especialmente relevante quando o investidor pretende vender antes do vencimento.

Mesmo que os pagamentos continuem ocorrendo, o preço de negociação pode ficar abaixo do valor pago na compra.

Risco das garantias

A existência de garantias pode aumentar a proteção, mas não assegura uma recuperação rápida ou integral.

Um imóvel dado em garantia pode valer menos do que o esperado, apresentar problemas documentais ou exigir um processo demorado de execução e venda.

Outros credores e despesas relacionadas à cobrança também podem reduzir o valor recuperado.

Por isso, o investidor precisa analisar o tipo de garantia, sua prioridade, seu valor e a facilidade de execução.

Risco de concentração

Investir uma parcela elevada do patrimônio em um único CRI aumenta a dependência de uma operação, empresa ou projeto.

Além disso, títulos emitidos por securitizadoras diferentes podem estar ligados ao mesmo grupo econômico.

A diversificação deve considerar os devedores, os setores, os tipos de lastro e os vencimentos, e não somente o nome da securitizadora.

Para entender melhor essa estratégia, consulte também o artigo Como Diversificar seus Investimentos, publicado no Mas Porque Investir.

Risco de pagamento antecipado

Algumas emissões permitem amortização extraordinária, recompra ou resgate antecipado.

Nesse caso, o investidor pode receber o dinheiro antes do prazo esperado.

Isso não representa necessariamente uma perda nominal. Porém, pode surgir o risco de reinvestimento, pois talvez não existam novas aplicações com condições semelhantes naquele momento.

As regras de pagamento antecipado devem aparecer nos documentos da emissão.

O que analisar antes de investir em CRI?

A análise deve começar pelo Termo de Securitização e pelos demais documentos da oferta.

Esses materiais apresentam as condições que realmente regulam o investimento.

Qualidade dos devedores

Identifique quem possui a obrigação de realizar os pagamentos.

Avalie a atividade da empresa, seu endividamento, a capacidade de geração de caixa e o histórico de cumprimento das obrigações.

Quando existirem vários devedores, observe a concentração dos créditos e a participação dos maiores pagadores.

Qualidade do lastro

O lastro representa os créditos que sustentam a emissão.

Pergunte de onde virá o dinheiro necessário para pagar os investidores.

O fluxo depende de contratos de aluguel? Parcelas de compradores? Pagamentos de uma empresa? Receitas de um empreendimento ainda em desenvolvimento?

Quanto maior a dependência de uma única fonte, maior pode ser o impacto de um problema específico.

Garantias

A operação pode utilizar garantias como alienação fiduciária de imóveis, cessão de recebíveis, contas-reserva, fianças ou avais.

Contudo, a simples existência de uma garantia não resolve todos os riscos.

Analise o valor, a prioridade, a documentação e a possibilidade real de execução.

Também verifique se o valor da garantia pode cair ou se outras obrigações possuem prioridade de pagamento.

Obrigações contratuais

Algumas emissões estabelecem obrigações conhecidas como covenants.

Essas regras podem exigir que o devedor mantenha determinados indicadores financeiros, limites de endividamento ou níveis mínimos de garantia.

O descumprimento pode provocar reforço de garantias, vencimento antecipado ou outras medidas previstas nos documentos.

Prazo e calendário de pagamentos

Verifique o vencimento e compare-o com o prazo do seu objetivo financeiro.

Observe também quando ocorrerão os pagamentos de juros e as amortizações do principal.

Um título que devolve parte do capital ao longo do tempo produz um fluxo diferente de outro que paga o principal apenas no vencimento.

Classificação de risco

Alguns CRIs possuem uma classificação de risco, conhecida como rating.

Ela pode ajudar na comparação, mas não representa garantia de pagamento.

O rating reflete uma avaliação realizada em determinado momento e pode ser alterado caso a situação financeira da operação se deteriore.

Condições de saída

Analise a possibilidade de negociação no mercado secundário e verifique se existe histórico de negociações.

Também observe se a emissão permite resgate antecipado, recompra ou amortização extraordinária.

O investidor deve assumir que talvez precise manter o título durante um período prolongado.

O que é CRI na comparação com outros investimentos?

Cada investimento apresenta uma combinação diferente de tributação, risco, prazo e liquidez.

InvestimentoEstrutura principalImposto de Renda para pessoa físicaCobertura do FGCLiquidez
CRICréditos imobiliários securitizadosRendimentos atualmente isentosNãoPode ser limitada
CDBCrédito concedido a um bancoSegue as regras dos investimentos tributáveisPode ter, dentro das regras aplicáveisDepende do produto
LCICrédito imobiliário emitido por bancoRendimentos atualmente isentosPode ter, dentro das regras aplicáveisDepende da carência e do produto
Tesouro DiretoTítulos públicos federaisSegue as regras dos investimentos tributáveisNão se aplicaDepende das regras do programa e do preço de mercado

A Receita Federal classifica os rendimentos de CRI e LCI recebidos por pessoas físicas como isentos e não tributáveis.

CDBs e LCIs podem contar com cobertura do FGC dentro dos limites e condições aplicáveis. O CRI não possui essa proteção.

Portanto, não se deve considerar o CRI automaticamente melhor apenas por causa da isenção.

Um CDB pode oferecer maior liquidez e a possibilidade de cobertura pelo FGC.

Uma LCI também pode combinar isenção e cobertura do FGC, dependendo das condições do produto e da instituição emissora.

Já o Tesouro Direto oferece exposição aos títulos públicos federais, mas seus preços podem oscilar quando o investidor vende antes do vencimento.

A comparação correta precisa considerar produtos com prazos, riscos e condições semelhantes.

Para quem o CRI pode fazer sentido?

O CRI pode ser avaliado por investidores que compreendam o funcionamento do crédito privado e consigam manter os recursos aplicados durante o prazo previsto.

Antes disso, é prudente possuir uma reserva para imprevistos em investimentos com maior liquidez.

Essa organização reduz a possibilidade de precisar vender um CRI antecipadamente em condições desfavoráveis.

O investidor também precisa aceitar a ausência de cobertura do FGC e compreender que a recuperação de valores em caso de inadimplência pode ser demorada.

Além disso, deve acompanhar a operação depois da compra.

Relatórios periódicos, comunicados da securitizadora e informações do agente fiduciário podem revelar mudanças na situação dos devedores ou das garantias.

O CRI pode atuar como uma parte da diversificação da renda fixa. Porém, não deve substituir automaticamente os investimentos mais simples e líquidos.

Para quem ainda está construindo sua base, o artigo Como Começar a Investir do Zero pode ajudar a organizar as primeiras etapas antes de avaliar produtos de crédito privado.

Isso não significa que todo CRI seja inadequado para iniciantes.

Entretanto, o investidor não deve tomar a decisão somente porque o título apresenta uma taxa atrativa ou isenção tributária.

Como investir em CRI?

Bancos, corretoras e plataformas de investimento podem distribuir CRIs.

Na oferta primária, o investidor participa da distribuição inicial do título.

Nesse momento, deve analisar os documentos da emissão, os riscos, o prazo, as condições de pagamento e a destinação dos recursos.

No mercado secundário, o investidor compra o título de outro participante.

O preço negociado pode ficar acima ou abaixo do valor nominal ou do preço inicial da emissão.

Consequentemente, a taxa apresentada no lançamento pode não ser a mesma disponível para quem compra o CRI posteriormente.

Antes de confirmar a aplicação, observe:

  • preço de compra;
  • taxa correspondente ao preço negociado;
  • juros acumulados;
  • pagamentos já realizados;
  • pagamentos que ainda ocorrerão;
  • vencimento;
  • condições de venda antecipada.

Depois da compra, acompanhe os relatórios e comunicados da emissão.

Mudanças nos devedores, nas garantias ou no fluxo dos recebíveis podem alterar o risco do investimento antes do vencimento.

Como declarar CRI no Imposto de Renda?

A isenção dos rendimentos não elimina a obrigação de declarar o investimento quando o contribuinte precisa entregar a declaração anual.

O investidor deve informar o saldo e os rendimentos conforme as regras aplicáveis ao exercício correspondente.

A Receita Federal orienta que os rendimentos de CRI recebidos por pessoas físicas sejam tratados como isentos e não tributáveis.

Utilize o informe de rendimentos fornecido pela instituição responsável pela custódia ou distribuição.

O documento costuma apresentar o saldo, os rendimentos e os dados da fonte pagadora.

Os nomes das fichas, códigos e campos podem mudar entre os exercícios.

Por isso, este artigo não fixa um código específico como se fosse permanente.

No momento do preenchimento, consulte o informe de rendimentos e as instruções atualizadas da Receita Federal.

Em casos incomuns ou dúvidas sobre tributação, procure orientação profissional.

Afinal, vale a pena investir em CRI?

Não existe uma resposta que sirva para todas as pessoas.

O CRI pode fazer sentido quando sua remuneração é compatível com os riscos, o prazo combina com o objetivo financeiro e a aplicação representa uma parcela controlada da carteira.

Por outro lado, o título pode ser inadequado quando o investidor precisa de liquidez, não compreende a estrutura ou concentra recursos demais em uma única operação.

A isenção de Imposto de Renda pode melhorar o retorno líquido, mas não compensa automaticamente um lastro frágil, um devedor com dificuldades financeiras ou garantias pouco eficientes.

Da mesma forma, uma taxa elevada não garante uma boa relação entre risco e retorno.

Antes de investir, compare o CRI com alternativas que apresentem prazos e riscos semelhantes.

Avalie também quanto do patrimônio ficará exposto ao mesmo devedor, grupo econômico, setor ou tipo de crédito.

O objetivo não deve ser encontrar o título que mostra a maior taxa na tela da corretora.

A análise deve buscar uma remuneração coerente com os riscos assumidos.

Conclusão

Entender o que é CRI exige olhar além da taxa e da isenção tributária.

O Certificado de Recebíveis Imobiliários é um título de renda fixa emitido por uma companhia securitizadora e sustentado por créditos relacionados ao setor imobiliário.

De acordo com as regras vigentes na última revisão deste conteúdo, seus rendimentos permanecem isentos de Imposto de Renda para pessoas físicas.

Entretanto, o CRI não possui cobertura ordinária do FGC e pode apresentar riscos de crédito, liquidez, mercado, concentração e execução de garantias.

O patrimônio separado também não assegura o pagamento integral. Ele mantém determinados ativos afastados do patrimônio comum da securitizadora quando a emissão institui o regime fiduciário.

Antes de investir, analise os devedores, o lastro, as garantias, o prazo, o calendário de pagamentos e as condições de venda antecipada.

Compare ainda a rentabilidade líquida com investimentos de risco semelhante.

Quando utilizado com conhecimento, diversificação e limites de exposição, o CRI pode integrar uma estratégia de renda fixa.

Contudo, ele não deve ser escolhido apenas pela taxa anunciada ou pela isenção de Imposto de Renda.

Aviso: este conteúdo possui finalidade exclusivamente informativa e educacional. Ele não representa promessa de rentabilidade, garantia de resultados ou recomendação individual de investimento. Todo investimento envolve riscos, e cada decisão deve considerar os objetivos, a situação financeira, o prazo e o perfil do investidor.

Continue aprendendo sobre renda fixa

Agora que você já sabe o que é CRI, como ele funciona e quais riscos devem ser avaliados, continue aprofundando seus conhecimentos antes de escolher um investimento.

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Quanto mais você entende os riscos, os prazos e a liquidez de cada produto, melhores são as condições para tomar decisões compatíveis com seus objetivos.

Salve este artigo e compartilhe com alguém que também queira entender melhor o CRI e os investimentos de renda fixa.

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